Dicas USA

Percorrendo as estradas da America

Ao percorrer as estradas da América, geralmente escolhemos um ponto de partida e um destino, e tentamos ver o máximo do país entre estes dois extremos. Desta forma tivemos oportunidade de conhecer 41 estados: Alabama, Arizona, Arkansas, California, Colorado, Connecticut, Delaware, Florida, Georgia, Illinois, Idaho, Indiana, Iowa, Kansas, Kentucky, Louisiana, Maine, Maryland, Massachusetts, Minnesota, Mississippi, Missouri, Nevada, New Hampshire, New Jersey, New Mexico, New York, North Carolina, Ohio, Oklahoma, Oregon, Pennsylvania, Rhode Island, South Carolina, Tennessee, Texas, Utah, Virginia, Washington, West Virginia e Wisconsin. Alguns foram visitados de passagem, outros demoradamente, e alguns mais de uma vez. Assim tivemos chance de conhecer um bom pedaço da América, desde o lado oeste do país, onde estão Los Angeles e San Francisco ao nordeste, onde ficam New York City e Washington DC. Dos desertos de Houston e Dallas às ventosas Chicago e Milwaukee. Do carnaval gringo de New Orleans ao gelo de Minneapolis. Das luzes de Las Vegas ao country de Nashville, passando ainda por Albuquerque, Kansas City, Cleveland, Baltimore, Philadelphia, Oklahoma City, Atlanta, San Diego, Des Moines, Saint Louis, Niagara Falls, Salt Lake City, Indianapolis, Phoenix, Charleston, Buffalo, Cincinnati, Memphis, Arlington, Pittsburgh, e claro, Miami e Orlando, além de um incontável número de médias e pequenas localidades, ao longo das estradas.

Clique e veja um mapa do Estados Unidos com alguns dos lugares que já visitamos: Mapa Usa

Como descrever estas experiências? Qual seria a melhor forma de relatar tantas aventuras boas e claro algumas não tão boas que surgiram pelo meio do caminho? Como aquela vez que fomos pegos por uma tempestade de neve ao norte de Buffalo, com a estrada transformada numa escorregadia pista de gelo, e ao tentar limpar o pára-brisa com água (ok, a gente sabe agora que foi ignorância), ele congelou ainda mais, nos deixando numa estrada escorregadia sem conseguir ver nada a nossa frente, com dezenas de carros acidentados a direita e a esquerda? Ou então o terror de descobrir que o prédio do Pentágono, situado a pouca distância de nosso hotel em Washington tinha sido, naquela manhã de 11 de setembro, vítima de um ataque terrorista, e que de repente estávamos bem no meio de toda aquela confusão? 

Por outro lado também houve um sem número de momentos maravilhosos, descobertas de lugares, coisas, pessoas. Vimos uma cultura diferente abrir-se a nossa frente, revelando lados e características muitas vezes surpreendentes, e que em nada correspondem a estereótipos que geralmente temos sobre outras terras e povos. Lugares belíssimos, de um país com imensas extensões territoriais. Florestas, desertos, campos, montanhas, e uma infra estrutura turística invejável, que permite atravessar-se o país de ponta a ponta dentro de um mesmo padrão de conforto e segurança. Estradas com pavimentação impecável, sinalização eficiente, manutenção atenta, e que nunca param de crescer e crescer. Vimos também o lado menos glamoroso da América, os bairros pobres e perigosos das grandes cidades, e que, freqüentemente, a pouca distância das modernas torres de alumínio e aço, ocupadas por prédios inteligentes, servem de abrigo aos esquecidos por aquela rica sociedade. 

Mas o objetivo do Viagens & Imagens não é fazer nenhum estudo sociológico ou econômico. Este é um site de lazer, e enfatiza principalmente o lado turístico de alguns lugares. Ao contrário de outras páginas do site, onde você poderá obter informações e fotos específicas sobre localidades diferentes dos Estados Unidos, nesta página, batizada de Dicas USA, estão as semelhanças, as coisas em comum, as similaridades encontradas naquele país continental. Considere que as informações abaixo aplicam-se praticamente a qualquer lugar dos Estados Unidos. 

A Cidade Americana Típica

Uma das coisas mais interessantes que podem ser percebidas ao atravessar vários estados americanos é constatar como algumas coisas não mudam no país, de um lado a outro, a começar pelas suas próprias cidades. Se você esquecer lugares como New York ou San Francisco, ou mais alguns poucos, que podem ser considerados como atípicos, as cidades americanas parecem ter todas a mesma receita: Um centro composto por meia dúzia de prédios moderníssimos com formas aerodinâmicas revolucionárias, sendo um ou dois com teto em forma de torre de castelo, outra meia dúzia de prédios em volta, mais baixos e discretos, sendo este conjunto rodeado por uma malha de auto-estradas com trânsito incessante e logo além um mar de subúrbios e bairro residenciais que se sucedem indefinidamente até onde a vista alcança. 

Este modelo urbano é conseqüência do próprio conceito que os americanos tem da forma como deve funcionar uma cidade. Em primeiro lugar ninguém mora no centro, a não ser os menos favorecidos. E ninguém mora no centro porque não precisa morar no centro. Todos tem automóveis, podem se dar ao luxo de morar em agradáveis bairros residenciais distante do centro, em suas casas com jardins e piscinas, e chegar ao seus locais de trabalho, seja onde forem, através das excelentes auto-estradas ou em modernos trens.

O que de início, pode parecer falta de imaginação urbana, é na verdade um sistema que traz para seus moradores um padrão de vida bem mais elevado do que em outros países. Mas ao mesmo tempo faz que estas cidades tenham uma dinâmica diferente, e que muitas vezes estranhamos ao chegar lá. É como se o lado visível da vida nas cidades típicas americanas não acontecesse no centro, na forma como estamos acostumados, seja de rua em rua ou de loja em loja.

A vida do centro costuma estar confinada aos modernos prédios de escritórios, sedes das grandes empresas e corporações, e um ou outro shopping central, onde estes funcionários, homens geralmente trajando camisa social branca de mangas compridas e gravatas, e mulheres com elegantes terninhos  se reúne para almoçar, entre 12 e 13 horas, e depois, colocam seus tênis e dão várias voltas ao redor da quadra, aproveitando o restinho de tempo do almoço para se exercitar.

O melhor das cidades americanas acontece nos subúrbios, no comércio das grandes lojas de departamentos espalhados em diferentes pontos da cidade, nos imensos shoppings e malls, nas verdes alamedas das dezenas de bairros residenciais ou na vida social de suas comunidades. E por isso, freqüentemente, essa vida não pode ser constatada de imediato por visitantes ou turistas apressados.

Se você vai viajar aos Estados Unidos numa excursão com guia, ou tem amigos, ou parentes lhe esperando ao chegar lá, provavelmente não vai precisar se preocupar com rotas, estradas, escolher hotéis onde passar a noite, lugares a visitar etc, pois presume-se que seus anfitriões ou guias de turismo cuidarão de tudo para você. É só relaxar e aproveitar.

Por outro lado, se vai viajar por conta própria, você mesmo terá que resolver todos os assuntos relativos ao seu passeio. E se este passeio não está limitado a apenas uma localidade, e sim diversas cidades ou estados americanos, então um pouco de planejamento certamente vai lhe ajudar a aproveitar mais o passeio.

Seria impossível aqui darmos dicas válidas para todo aquele país continental, e nem nós temos a pretensão de conhecer tudo sobre aquela terra. Mas já tendo percorrido 37 estados e dezenas de cidades, conseguimos reunir algumas informações que podem ser consideradas válidas para qualquer ponto daquela terra. São informações genéricas, mas que vão servir de ajuda principalmente para quem viaja como nós, gente que gosta de pegar a estrada por conta própria, decidida a conhecer a fundo a América, ver ao máximo tudo que encontra pela frente, suas pessoas, localidades, atrações, coisas boas e também as ruins, sem deslumbramentos nem preconceitos. Enfim, conhecer as entranhas de um país. 

Mapas / GPS

Ter um bom mapa é essencial para o sucesso de sua viagem, e isto é fácil resolver. Antes de pegar a estrada passe em qualquer posto de gasolina e você encontrará vários modelos de mapa da cidade onde está, dobráveis, em formato de livro, de papel simples ou encerado. Se quiser fazer ainda melhor compre um Atlas Anual de estradas de rodagem. Eles trazem os mapas de todos os estados americanos, todas as cidades e estradas do país, número das saídas de acesso para cada cidade, principais atrações turísticas e diversas outras informações úteis para viajantes.

Os melhores Atlas de estradas de rodagem são editados pela companhias Rand McNelly e National Geographic, e podem ser encontrados, respectivamente, nas lojas da RandMcNelly e da National Geographic, mas não compre lá! Procure-os nas redes das lojas Walmart ou Target, onde exatamente os mesmos mapas podem ser encontrados bem mais baratos. Não deixe de comprar também um bom isopor, pois isso vai lhe proporcionar conforto e a conveniência de levar no banco de trás bebidas geladas, sanduíches, frios ou o que mais quiser. São chamados de Coolers, e podem ser encontrados em lojas da SevenEleven, Target ou Walmart, só para citar as mais fáceis de encontrar.

Complementarmente ao mapa, sugerimos também um equipamento GPS. Se sua locadora de automóveis oferece a possibilidade de incluir este equipamento como adicional é altamente recomendável incluir um em seu aluguel. Quase todos tem opções de áudio em várias línguas e da última vez que fomos aos Estados Unidos e alugamos um carro pela Avis, nosso equipamento tinha a opção de áudio  em língua portuguesa do Brasil (com sotaque de paulista).

Alugando um Carro

Se você quer realmente conhecer os Estados Unidos um carro é essencial. Pode-se dizer que toda sua sociedade foi construída em cima de quatro rodas. A própria disposição urbana da cidade típica americana torna o automóvel uma necessidade. Nos Estados Unidos as pessoas entram no carro para atravessar a rua e comprar pão no mercado em frente. Alugar um carro nos Estados Unidos é como comprar um saco de pipocas no Brasil: Usual e banal. Já escolher a locadora é tarefa menos simples, pois existem as dezenas. As principais empresas são Avis, Hertz, Alamo, National, Budget e Dollar, e os preços são competitivos em todas. Temos preferido alugar quase sempre pela Alamo, que permite pegar e devolver o carro em estados diferentes, o que não é possível na maioria das outras empresas. Você vai ter que pagar um adicional que depende da distância entre o estado que pegou o carro e em qual você vai devolver, mas em compensação poderá começar seu passeio, digamos, em Atlanta e terminar em New York, ou começar em Dallas e terminar em Chicago, sem ter que se preocupar em levar o carro de volta. Desta forma é possível fazer a viagem com mais calma, ver mais coisas e aproveitar melhor o seu passeio.

Percorrendo as estradas da América nunca tivemos qualquer tipo de problemas, mecânicos ou legais. Todas locadoras tem serviço de atendimento 24 horas que, em caso de necessidade, pode ser acionado de qualquer lugar do país. No caso de um pneu furado, por exemplo, não esqueça de guardar o recibo do conserto, pois este valor lhe será reembolsado ao final do aluguel. Um detalhe importante é levar também sua carteira nacional de habilitação, pois ela costuma ser até mais importante do que uma carteira internacional. Aliás é interessante observar que, embora de acordo com as informações oficiais uma carteira de motorista internacional seja essencial para o aluguel de carro americano, ela praticamente nunca é pedida na hora do aluguel. Mesmo assim, se você quiser, por via das dúvidas, levar uma, ela pode ser providenciada no Detran de seu estado, e a validade desta habilitação internacional será a mesma de sua carta nacional de motorista.

No aluguel de carros, outro item essencial é dispor de um Cartão de Crédito Internacional.  Ele agiliza muito o aluguel, caso contrário você precisará, além do valor do aluguel, fazer um depósito em dinheiro para cobrir qualquer eventualidade. Quanto aos preços, eles dependem do modelo de carro escolhido e do estado do país em que você faz o aluguel. O sistema adotado pela maioria das locadoras não permite escolher o modelo de carro, mas sim a categoria do automóvel. Geralmente são classificados em Economy (modelos pequenos e econômicos), Midsize (médio), Fullsize (completo), Premium (luxo), Luxury (super luxo), Conversíveis e Vans.

Se você está viajando com poucas pessoas, vai ficar numa mesma cidade e não pretende viajar pelas estradas, um carro modelo Economy provavelmente será mais do que suficiente para suas necessidades. Se pretende cobrir longas distâncias, e carregar volumes maiores, aconselhamos a pegar um carro Midsize, ou no máximo um Fullsize, pois assim poderá contar com recursos como piloto automático e outras vantagens, além de um porta malas suficiente para acomodar todas suas compras, o que lhe trará muito mais conforto na estrada. Um carro médio, de categoria Fullsize nos Estados Unidos equivale a um carro de luxo no Brasil, e o único problema que eles trazem é quando o aluguel acaba, voltamos para a nossa terra, e temos que encontrar de volta aquele nosso velho carrinho...  Já se você está viajando com um grupo maior de pessoas e vai repartir o aluguel considere a opção de alugar uma Van, pois elas tem espaço de sobra.

Quanto aos preços de aluguel, a Flórida está entre os estados com as melhores promoções. Já New York está entre os mais caros. Lembre ainda que além do preço do aluguel propriamente dito, existem várias taxas que as locadoras só nos lembram de sua existência quando vamos pegar o carro, tais como seguro contra acidentes, denominados como CDW (Collision Damage Waiver), EP (Extended Protetion), além de taxas estaduais, federais, de aeroporto, etc. Algumas destas taxas são opcionais, outras obrigatórias, e se você escolher todas, pode ter a surpresa de ver o preço dobrar, dependendo do modelo do carro, duração de aluguel e localidade onde pega o carro. Mesmo assim, dirigir sem seguro algum é uma temeridade, portanto escolha com atenção.

Por último lembramos que geralmente é mais barato fazer reserva do carro antes de sair do Brasil, pela Internet, pois nos sites são oferecidos preços especiais, nem sempre a disposição de quem aluga diretamente no balcão do aeroporto, ao chegar lá.  

Os Americanos ao Volante

Com exceção de alguns lugares, geralmente onde há grande concentração de comunidades latinas, como na Florida, Texas e New Mexico, onde os motoristas são visivelmente mais afoitos, a primeira impressão que se tem ao dirigir nos Estados Unidos é de que os Americanos são prudentes demais e que tudo anda meio lento. Pura impressão, pois na verdade a primeira preocupação deles é com a segurança. Quase não se vê zigzags nas ruas, mudanças constante de pistas nas estradas, e ninguém dá cortada em ninguém.

Dirigir para os americanos é como caminhar, e desde cedo eles aprendem como se comportar de maneira apropriada ao volante. Certa vez, em Chicago, fomos pegos por uma tempestade tão forte que chegou a ser classificada como furação. Faltou luz em quase toda cidade, inclusive nos sinais de trânsito, e não havia um guarda sequer a vista. Mas, embasbacados, constatamos que, nos cruzamentos, os motoristas não apenas não bloqueavam as ruas, como ainda por cima, como se já estivesse tudo combinado, alternavam-se para atravessar as ruas, ou seja, agora vem um carro daqui, depois vem um carro de lá, agora dobra um pra lá, depois outro dobra de lá pra cá, e assim por diante, como uma coreografia perfeitamente ensaiada. E tudo calmamente, um a um, sem ninguém tentar furar a fila, passar por fora ou sequer buzinar. E isto acontecia em todas esquinas ao longo de nosso trajeto!

Um ponto essencial ao transitar pelas estradas americanas é atentar para a velocidade máxima permitida nas estradas. A velocidade máxima permitida costuma ser baixa, bem inferior às velocidades permitidas na Europa, e principalmente, às praticadas no Brasil. Ela também está condicionada ao tipo de estrada, sendo que as auto-estradas permitem velocidades máximas entre 65 milhas/hora até 75 m/h, conforme o estado. Estradas estaduais e secundárias tem um limite ainda mais baixo. Uma tolerância de 5 milhas acima da velocidade máxima permitida costuma ser usual, mas acima disso será alta a possibilidade de você ser parado por algum carro da polícia, pois eles parecem estar em todo lugar. Se você for pego com velocidade acima do permitido em algum trecho de estrada em obras sua multa será ainda maior e terá o valor duplicado. É aconselhável tomar como norma seguir no mesmo fluxo dos carros a sua volta.

Quem percorre as estradas americanas com um bom mapa e prestando atenção nas placas das estradas, dificilmente vai se perder. A obsessão deles com a sinalização das estradas é tão visível que em certos locais beira o exagero. Não se surpreenda se 30 milhas antes de chegar ao acesso a uma determinada cidade você já encontrar enormes placas situadas em cima da estrada dizendo, por exemplo: Albuquerque, Keep Right Lane (Para ir para Albuquerque mantenha a pista da direita). Cinco milhas a frente o mesmo aviso, outras cinco milhas a frente o mesmo aviso, só que ainda maior. Ao chegar mais próximo a saída propriamente dita, o acesso a Albuquerque estará indicado por placas dispostas a cada 200 metros, pintura zebrada no asfalto e setas impossíveis de não serem vistas.

Quanto ao trajeto escolhido para ir de um lugar a outro existem basicamente duas opções:

Auto-estradas.

Indicadas por placas com letras brancas sobre fundo azul. A vantagem dessas estradas é serem a forma mais rápida de ir de um lugar a outro, e por isso são preferidas pela maioria dos motoristas com pressa de chegar. Sua desvantagem é que elas passam direto por fora de tudo que é, ou aparenta ser, interessante ao longo do caminho. Como disse certa vez Charles Kuralt, com bom humor: "Graças ao sistema nacional de auto-estradas, agora é possível atravessar os Estados Unidos de ponta a ponta sem ver nada. Vistos de uma auto-estrada, todos os lugares são iguais". A ironia justifica-se pois não há como sair de uma auto-estrada a não ser nos acesso oficiais, que as vezes são muito distantes um do outro. Você vê um lugar bonito e não tem como parar para ir lá, a não ser que volte depois um grande trecho. Uma vez estávamos distraídos e passamos da saída que queríamos pegar para a cidade de Phoenix, e precisamos andar mais 20 milhas até chegar a próxima saída, fazer o retorno e voltar.

Outra desvantagem é o trânsito intenso das auto-estradas, quase sempre repleto daquelas imensas jamantas, que lembram trens no tamanho e aviões na velocidade.  As auto-estradas são designadas sempre por uma letra “I” na frente de um grupo de números, como por exemplo I-45, o que significa Interstate 45. As Interstates atravessam vários estados, sendo que as de numeração par (I-40, I-64, etc) correm no sentido leste-oeste e as ímpares (I-91, I-15, etc) no sentido norte-sul.

Além disso as auto-estradas numeradas com três dígitos, sendo o primeiro par (I-280, I-684, etc) cruzam ou circundam as cidades, e as de três dígitos, sendo o primeiro ímpar (I-515, I-394, etc) terminam dentro das cidades.

Outras Estradas:

Indicadas com placas com letras pretas sobre fundo branco. Elas complementam o sistema viário nacional. São formadas pelas US Highways, State Highways, Provincial Highways, Secundary Roads e County Roads. Também são todas numeradas, e embora permitam uma velocidade menor, são a melhor forma de se conhecer a fundo os Estados Unidos. Atravessam pequenas cidades, povoados, parques, e nelas tem-se a chance de parar de repente onde quiser, estacionar na beira da estrada, visitar algum lugar simpático, restaurantes familiares, ou o que bem desejar. Apesar de serem consideradas secundárias, não podem ser consideradas inferiores. Na prática, muitas destas estradas são melhores que algumas estradas consideradas como de primeira categoria no Brasil. A única desvantagem dessas estradas é serem lentas, as vezes de mão dupla, o que limita as distâncias que você pode percorrer num determinado tempo.

E há também  a questão dos pontos cardeais. Os americanos adoram se referir ao norte, sul, leste e oeste, para tudo. Eles dizem, por exemplo: Eu moro 10 milhas norte do centro. O parque tal fica situada 8 milhas leste desta avenida. E logicamente, o mesmo acontece com as estradas. Mas nem por isso há necessidade de você sair correndo para comprar uma bússola. Basta que, antes de pegar a estrada, veja seu destino, se ele está mais ao norte ou sul de seu ponto de partida, a leste ou oeste, e seguir as placas na direção recomendada. Em pouco tempo a gente acostuma e passa a achar até prático.

Veja por exemplo a imagem ao lado. Ela não faz referência às cidades mais próximas, apenas indica as direções que você deve seguir para chegar ao seu destino, conforme ele esteja situado ao norte, sul, leste ou oeste. As placas indicam que, para pegar a auto-estrada I-10 no sentido East você deve seguir em frente, para pegar a I-10 sentido West deve dobrar a direita e para pegar as estradas estaduais 83 ou 377 no sentido South basta seguir em frente. Por isto é sempre importante saber a direção a seguir, e ter um bom mapa a mão. Ou então, faça melhor ainda, compre ou inclua no aluguel de seu carro um aparelho GPS, familiarize-se com ele e dirija para todo lado sem nunca mais ficar preocupado em se perder.

Em nossas viagens temos adotado um misto das duas categorias de estradas. Para longos trajetos que devem ser vencidos no mesmo dia escolhemos uma auto-estrada, e fora disso procuramos fazer os roteiros sempre por estradas secundárias. Se quiser saber mais sobre algumas estradas americanas  confira o site US-Highways. E veja centenas de vídeos gravados em diferentes estradas americanas que fazem a gente se sentir como é dirigir por lá: FreewayJim.

Restaurantes de Beira de Estrada

Nas auto-estradas, podem ser encontrados principalmente junto aos trevos de saída. A maioria deles obedece ao tradicional conceito de Fast Food americano, com algumas poucas variações, quanto ao recheio dos sanduíches, estilo de batatas fritas, etc. Um dos poucos que se destaca nesta imensa relação, servindo pratos saborosos, num ambiente agradável, e que por isso mesmo tornou-se nosso favorito, é o Cracker Barrel. Os restaurantes dessa rede imitam o estilo de antigos restaurantes do interior dos Estados Unidos, dos anos 30. Em cada um deles, anexo ao restaurante, há também uma loja decorada no mesmo estilo tradicional, vendendo desde souvenirs, doces feitos a moda antiga, artigos para casa, lembranças e uma grande variedade de artigos interessantes e divertidos.

Outro clássico da estrada é o Dennys, especializado em pratos típicos americanos, como panquecas com syrup, ovos mexidos com bacon, salsichas e imensos sanduíches recheados acompanhados de batatas fritas. Ao chegar em qualquer restaurante dos Estados Unidos, espere na recepção por um atendente e ele lhe mostrará onde sentar.
Geralmente afastados das auto-estrada você também encontrará outros restaurantes que valem uma visita, são o Sbarro (quase todo shopping tem um - especializado em massas a moda Italiana), Applebees (bufês de saladas e pratos variados), Olive Garden (sempre em prédios próprios, rede de restaurantes Italianos com ambiente agradável e pratos ótimos). 

Hotéis e Motéis

Depois de pegar o carro, providenciar um bom mapa e um roteiro básico, o outro fator   importante na satisfação e no custo do passeio, é a hospedagem. Como a rede hoteleira  nos Estados Unidos é imensa, esta talvez seja a parte mais fácil de todas. A quantidade de opções de hotéis e motéis com diferentes preços, categorias, localizações, e serviços oferecidos é infinita, mas geralmente ficamos em motéis. Assim, você tem a conveniência de estacionar na frente do seu quarto, é mais fácil remover a bagagem, tem entrada e saída independentes, e não há necessidade de circular por lobbies, corredores, ou outras partes comuns.

Quanto a localização, já percebemos que, a não ser que você vá participar de eventos, congressos, etc, e tenha alguma razão particular para hospedar-se no centro das cidades, é mais agradável hospedar-se em bairros fora do centro. Excetuando-se New York, San Francisco, e mais alguns poucos locais, o centro da cidade americana típica simplesmente morre após as 17 horas. Ao contrário de muitas cidades européias, onde a vida e a animação principal começam com o cair da noite, com cafés e bares lotados, calçadas cheias, e muito agito, os centros das cidades americanas costumam ser parcialmente animados apenas durante o dia. Como geralmente no centro encontram-se, principalmente,  prédios do governo, sedes de empresas, edifícios de escritórios, e um ou outro shopping destinado a atender essa massa de trabalho em seu horário de almoço, o movimento gira em função do horário de expediente, apenas entre 9 e 17 horas.

Há alguns anos, hospedados bem no centro de Cleveland/Ohio, saímos as 9 da noite para caminhar um pouco e ver o movimento noturno. Só o que vimos foram prédios fechados e ruas desertas. Apenas com muito esforço conseguimos encontrar uma lanchonete Subway aberta, onde compramos uma salada para comer na volta ao hotel. O melhor da cidade típica americana está nos subúrbios. Como lá não existe a profusão de ônibus a que estamos acostumados por aqui, e nem todas as cidades tem amplas redes de metrô, o transporte coletivo não é uma boa alternativa para se conhecer bem um local, e esta é mais uma boa razão para se ter um carro a disposição.

Com relação ao preço, abrimos mão com prazer de hotéis que oferecem spas, salões de conferência, academias de ginástica, e outras coisas incluídas no valor da diária. Para quem quer apenas um bom quarto, limpo, com banheiro privativo, TV a cores, e uma cama macia, optamos por ficar em algum motel da rede Travelodge, Days Inn ou Howard Johnson, nesta ordem. Os três nomes são de redes que cobrem todo o país, tem estabelecimentos dentro de um padrão bastante homogêneo, com quartos grandes e confortáveis, sem serem caros.
Os preços das diárias variam de um local para outro, dentro da mesma rede, conforme o tamanho da cidade ou a localização escolhida. Como todos tem sistema de informações e reservas on-line, se você já sabe a cidade onde pretende passar sua próxima noite, é melhor dar uma conferida nos sites dos hotéis, e fazer sua opção de acordo com os preços informados e as localizações disponíveis na cidade para onde você vai. Abaixo relacionamos algumas redes de hotéis onde já ficamos, e ficamos satisfeitos não apenas quanto às acomodações, mas também quanto ao preço:

Travelodge  Days Inn  Howard Johnson   La Quinta Inn   Best Western   Econolodge   Holiday Inn   Comfort Inn

Outra alternativa de hospedagem é não fazer reserva alguma, simplesmente cair na estrada, seguir em frente e parar apenas onde der vontade, em algum hotel ou motel a beira da estrada. É sem dúvida mais emocionante e vai lhe dar mais liberdade no seu roteiro. Por outro lado é mais difícil encontrar bons preços e localizações desta forma, já que assim fica-se refém dos preços de balcão, além de estar correndo o risco de acabar em alguma espelunca. Nós costumamos sempre pesquisar pela internet, comparar preços, e escolher a melhor opção.  Quase sempre há promoções para reservas feitas com alguma antecedência. Mesmo porque, se você mudar de idéia na última hora e quiser ficar em outro lugar basta telefonar para o hotel (geralmente até as 16 horas do dia previsto da chegada) e cancelar sua reserva. Assim você não precisa pagar taxa alguma e por via das dúvidas já tem um lugar garantido. Diversos hotéis já oferecem quartos com geladeira e micro-ondas, o que representa uma vantagem adicional.

Super Mercados

São um capítulo a parte. Existem os grandes, os enormes e os incrivelmente imensos. Todos fazem a gente logo compreender porque a obesidade torna-se a cada dia mais, um sério problema nos Estados Unidos. Mas passear pelos seus corredores, ver aquele mundo de delícias e novidades e não cair em tentação de experimentar ao menos algumas coisas é impossível. É todo um mundo de delícias pré-prontas de todos os tipos, carnes, peixes, massas, saladas, pratos completos para levar ao micro-ondas, sobremesas, potes de sorvetes de mil sabores diferentes, e ainda um mundo de guloseimas que deixam as crianças loucas, como sacos de batatas fritas que lembram travesseiros, potes de doces que parecem barris e embalagens familiares que parecem destinadas a famílias de 50 pessoas.

Um dos setores mais  atraentes é o de congelados, onde pode-se encontrar praticamente de tudo. Passear num supermercado americano é uma festa a parte, e nada é mais frustrante do que ver aquilo tudo e não poder levar coisa alguma para  o hotel apenas por não ter onde preparar. Por isso não esqueça de, ao chegar num hotel ou fazer reserva, deixar bem claro que deseja um quarto que tenha micro-ondas. Ainda que seja necessário pagar uma taxa adicional por dia, garantimos que você não vai se arrepender.

As redes de supermercado dominam o país. Imagine um loteamento por áreas, é mais ou menos assim que o sistema funciona. Quando você pensa que seria impossível encontrar um maior, surge outro. Entre os mais lembrados do país estão as redes Publix (Florida, Georgia e região sudeste do país), Tom Thumb (Texas, California e região sudoeste do país), Cub (Chicago e parte centro-norte do país), Bi-Lo (sul do país), Kroger (em quase todo país), Albertsons (em quase todo o país), Giant (Washington e região centro-norte do país), e ainda outros como o Food Lion Ralphs e Food 4 Less. Se quiser saber qual deles você pode encontrar próximos das cidades que você vai visitar, clique nos links acima e escolha a opção Store Locator

Algumas redes de lojas de departamento também vem investindo no setor de alimentação, assim outras boas opções para suas compras calóricas são as lojas SuperTarget e Walmart Supercenter, que são, respectivamente, das redes Target e Walmart, mas muito maiores.    

Shopping Centers, Malls e Grandes Lojas

É rara a cidade americana que não tem seu mall ou shopping. Pode ser uma cidade pequena, localizada no fim do mundo, mas mesmo assim ela possuirá o seu templo de consumo, com grandes lojas, corredores enormes e ar condicionado sempre congelante. Incrivelmente semelhantes, eles são o próprio retrato daquela rica sociedade, e tem quase sempre as mesmas lojas com os mesmos produtos, custando o mesmo preço, seja qual for o canto do país. Guarde sua notinha, pois se não ficar satisfeito com o produto que comprou e quiser devolvê-lo é só voltar na loja e eles trocam ou devolvem o dinheiro na hora, muita vezes sem nem sequer perguntar porque você mudou de idéia. Nos Estados Unidos o consumidor é quem manda.

Os grandes shoppings geralmente estão situados na região periférica das cidades, em posições estratégicas, ao lado de junções de auto-estradas importantes. Junto a eles é comum encontrar filiais das grandes lojas do país, cada uma especializada num setor diferente de comércio, e formando o que poderia ser definido com um pólo urbano de consumo. Assim quem estiver interessado em determinados artigos vai direto a loja de sua preferência, ou então vai simplesmente passear nos shoppings, um dos programas mais praticados do país. O comércio nos Estados Unidos é dominado pelas grandes redes, e algumas das maiores, mais conhecidas, e que fazem sempre sucesso entre turistas estão listadas abaixo.

BestBuy (sempre em prédios próprios, junto de shoppings): Informática, artigos de eletrônica, eletrodomésticos, DVDs etc.
Electronics Boutique (sempre dentro de shoppings): Games para PC.
JCPenney (geralmente localizada em shoppings) - Roupas e artigos para casa.
Target (sempre em prédios próprios) - Loja de departamentos de bons preços.
WalMart Supercenter (sempre em prédios próprios) - Loja de departamentos de bons preços
HomeDepot (sempre em prédios próprios) - Tudo para quem quer reformar uma casa.
Toys-R-US (sempre em prédios próprios) -  Supermercados de brinquedos.
Babys-R-US (sempre em prédios próprios) - Tudo para bebês e crianças.
Payless Shoe Source (lojas próprias e em shoppings) - Calçados a ótimos preços.
Sears (sempre em shoppings) - Loja de departamentos.
SunCoast Picture (sempre em shoppings) - Tudo em DVDs, Blurays etc
Radio Shack (sempre em shoppings) - Artigos eletrônicos, som e vídeo.
Foot Locker (sempre em shoppings) - Calçados.
Gap (em shoppings em lojas próprias) - Roupas.
Walden Books
(sempre em shoppings) - Livros
Dollar Tree (sempre em shoppings) - Tudo por US$1,00
 

As duas Faces de um Mesmo Lugar

Algumas pessoas nos escrevem dizendo que gostariam de morar nos Estados Unidos, e solicitam dicas sobre qual estado ou cidade americana é melhor para se viver e trabalhar. Bem, a verdade é que nós não sabemos. Pode parecer difícil de acreditar, mas nada poderia ser mais diferente em termos de experiências em terras americanas do que aquelas obtidas por um turista e aquelas obtidas por quem mora e trabalha naquele país. Turistas geralmente se hospedam em hotéis, passeiam, visitam os parques temáticos, atrações turísticas, vão a teatros, shoppings, malls, fazem suas comprinhas, fotografam tudo que encontram pela frente e voltam em poucos dias ou semanas para casa com uma grande dívida no cartão de crédito e mil histórias alegres e divertidas para contar. Quem vai aos Estados Unidos para trabalhar geralmente compartilha quartos, trabalha muitas horas por dia, quase não tem tempo para passear, submete-se às duras regras do mercado de trabalho local, procura poupar o máximo possível, sofre com as saudades de sua terra e dos amigos e freqüentemente volta alguns anos depois, com muitos dólares na carteira e lembranças amargas de sua experiência americana. Tal é a diferença entre estes relatos que ao ouvir duas pessoas, um turista e um imigrante se referirem ao mesmo lugar, as vezes tem-se a impressão que estão falando de cidades diferentes.

Informe-se ao Máximo Antes de Partir

Por último, se você deseja informações turísticas mais detalhadas e específicas a respeito da cidade ou estado que vai visitar, sugerimos que dê uma olhada nos sites oficiais de turismo de cada um dos estado americanos. Você sabia que cada um deles possui seu Tourism and Conventions Bureau? Estas organizações tem como finalidade prestar informações turísticas a pessoas ou empresas, incentivar o turismo em cada um destes lugares, e fornecer todas informações necessárias para quem pretende visitar o estado. Pode-se dizer que seu objetivo é convencer você que aquele é o lugar ideal para passar suas férias. Isto é uma amostra de como o turismo é levado a sério nos Estados Unidos, e dos imensos ganhos financeiros que ele traz para todas empresas e pessoas envolvidas. Nestes órgãos pode-se obter, de graça, publicações turísticas, folhetos, mapas e uma grande variedade de informações úteis para quem vai viajar. Veja os endereços na Internet de cada Tourism and Conventions Bureau dos 50 estados americanos na página Centros de Informações Turísticas.

Estas dicas são apenas um ponto de partida, mas esperamos que elas sejam úteis em sua jornada pelos Estados Unidos.
Bom proveito e boa viagem.