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Eu tinha seis anos de
idade quando meus pais me disseram, alegres: Nós vamos para os Estados
Unidos! Eu não sabia direito onde era aquele lugar, mas pelo jeito com que
eles falavam só podia ser um lugar muito bom. E longe. Isto foi no milênio
passado, ainda na pré-história de minha vida. Na época minha mãe, Maria de
Lourdes, era professora de inglês no colégio Inácio Montanha, em Porto
Alegre e, depois de concorrer com professores de toda América do Sul foi
premiada pela Fulbright Commission com uma bolsa de estudos de oito meses
nos Estados Unidos, cuja finalidade era promover o aperfeiçoamento do ensino
da língua inglesa em outros países.
Minha mãe foi alguns
meses na nossa frente e também voltou depois, mas, em dezembro daquele ano,
meu pai tirou férias e lá fomos nós dois ao seu encontro. Vinte e quatro
horas de viagem de Porto Alegre a Nova York, com escalas no Rio e Trinidad a
bordo do Super Constellation da Varig. Depois outro vôo pela Eastern, com
escala em Washington até Memphis. E mais um pela American, com escalas em
Little Rock e Dallas até Austin, onde ela estudava, na University of Texas.
Ufa!
Aquela foi minha
primeira viagem internacional. Mesmo não tendo idade suficiente para
apreciar como devia aquele passeio (com seis anos a gente às vezes nem
entende direito o que está acontecendo à nossa volta), os quase dois meses
entre Texas e California marcaram minha infância de tal forma que nunca
deixei de sonhar em um dia voltar a viajar para o exterior e conhecer outras
terras.
Mesmo assim trinta anos
se passariam antes desse dia chegar, e foi somente depois de adulto que
voltei a viver aquela mesma emoção, a bordo de um Boeing 767 da Varig,
sentindo a cabine estremecer com a potência total das turbinas enquanto o
avião vencia a pista do Galeão, decolava e subia lentamente, sabendo que
aquela maquina maravilhosa me levaria, em poucas horas, a um outro país,
outro mundo.
Agora eu não tinha mais
seis anos, compreendia tudo o que se passava à minha volta, e estava
firmemente determinado a aproveitar cada minuto, cada lugar, escrever sobre
tudo que encontrasse pela frente, fotografar, filmar, conhecer pessoas, me
misturar aos povos de cada terra a ser visitada e, se possível, também
trazer comigo um pedacinho de cada um dos lugares por onde iria passar.
Antes disso já havia
tido a felicidade de encontrar Regina, a companheira ideal, amiga e namorada
perfeita, sempre alegre, animada, partilhando planos, dando idéias,
transmitindo confiança, e que logo se tornou minha cúmplice nestes projetos
de conhecer o mundo. Com certeza nenhuma destas viagens teria sido o que
foi, ou provavelmente nem sequer acontecido, sem sua presença ao meu lado.
Regina e eu já
estávamos juntos há três anos, quando decidimos fazer nossa primeira viagem.
E foi minha tia Gelcy quem, numa brincadeira inspirada, batizou o evento, ao
dizer que aquela seria nossa Lua de Mel. Assim foi dito e assim foi feito.
Nossa lua de mel foi numa excursão à Europa, a bordo de um ônibus da Juliá
Tours. O roteiro foi algo tipo quinze paises em trinta dias, ou qualquer
coisa semelhante.
Foi cansativo? Sim. Foi
corrido? Com certeza! Foi bom? Não, de jeito nenhum. Na verdade foi
maravilhoso!!!! Impossível descrever a sensação de ver a Torre Eiffel de
perto pela primeira vez, adentrar o Coliseu, percorrer os canais de Veneza
numa gôndola, assistir um espetáculo de som e luz no Parthenon de Atenas. Ou
então simplesmente sair a caminhar à noite de braços dados, por uma rua
qualquer, em uma cidade qualquer, não entendendo nada que os outros falam à
nossa volta, não conhecendo ninguém, quase perdido, mas ainda assim,
sentindo-se inexplicavelmente integrado àquele lugar e plenamente feliz
naquele momento.
O resultado destas
viagens, de experiências deste tipo é invariável. Faz a gente desembarcar no
aeroporto de volta já pensando quando e para onde será a próxima viagem. É
algo absolutamente viciante, e parece proporcionar um prazer acumulativo,
sempre renovável. É a melhor das drogas, com a vantagem adicional que esta é
saudável e abre nossas mentes para coisas boas e construtivas. Como muito
bem disse a escritora Martha Medeiros, “viajar promove a independência e a
responsabilidade. Amplia nossos limites. Traz alegria e novidade para o
cotidiano. Reforça nossa bagagem cultural. Dá parâmetro para comparações” .
Mas tudo começa bem
antes, no planejamento de uma viagem. Ah, o planejamento!... Angustiante e
delicioso, excitante e desafiador. Temos tentado adotar a fórmula de, a cada
viagem, procurar ver o máximo possível de tudo que está em volta, ou ao
longo de nosso caminho. É claro que isto nunca é possível, mesmo assim
começamos estabelecendo um ponto de partida e um destino final e traçando o
roteiro entre estes dois extremos, como aquele antigo joguinho infantil de
ligar os pontos com um lápis.
Nestas horas lembramos
sempre da história do sujeito com frio e que dispunha somente de um cobertor
curto. Ou ele cobria a cabeça e deixava os pés de fora, ou tapava os pés e
sentia frio na cabeça. É mais ou menos a mesma sensação que sentimos quando
vemos que ao longo do roteiro planejado vamos passar próximos a tantas
localidades bonitas, históricas, excitantes, convidativas, cênicas,
turísticas, movimentadas, esquecidas, bucólicas, imperdíveis, inesquecíveis
etc etc e que se fossemos parar e visitar cada uma delas precisaríamos ficar
dois anos viajando. Alguma coisa – muita coisa na verdade – sempre fica de
fora, com a desculpa e o consolo de que, na próxima vez voltaremos lá e
conheceremos aquela cidade, vila, castelo, museu pelo qual passamos tão
perto, mas que não deu tempo de visitar.
E as dúvidas na hora de
planejar uma viagem? Qual a melhor forma de percorrer este roteiro? De
ônibus, trem ou carro? Vamos de excursão ou por conta própria? Vamos alugar
um carro ou fazer um leasing? O que sai mais barato? O que nos dá mais
liberdade? Vamos conseguir nos orientar em terras estranhas sem nos
perdermos? O lugar é seguro? Falam inglês? Onde encontrar bons mapas? Vamos
reservar um hotel? Ou vamos sem reserva e paramos pelo caminho quando der
vontade? Quais os hotéis ou motéis confiáveis? Quais os bons? São baratos?
Quanto tempo ficar neste local? E naquele outro? Dois dias é muito? Cinco
dias é pouco? Uma tarde é suficiente? O que é imperdível naquele lugar? No
que não vale a pena perder tempo naquela cidade? A reserva foi confirmada?
Os bilhetes foram emitidos? Lugares marcados? Precisa vacina? A nossa ainda
está dentro da validade? Pagamos o condomínio? As contas estão todas no
débito automático? Desligamos a luz? Já deixamos a chave da casa com o
vizinho? Pedimos para ele molhar as plantas? O quê? O táxi já está lá
embaixo nos esperando?!?
Na ânsia de não deixar
nada ao acaso e nem nada para a última hora, o planejamento de nossas
primeiras viagens costumava ser algo como os planos para desembarque das
tropas aliadas na Normandia no dia D, ou então como a primeira viagem do
homem à Lua. Mesmo assim, e apesar do friozinho na barriga que sempre
sentimos com a aproximação da data de embarque, a verdade é que todos estes
planos e preparativos são absolutamente deliciosos, e parecem antecipar o
prazer e as alegrias que vem pela frente. Afinal de contas, como se diz por
aí “O melhor de uma festa é esperar por ela”.
Hoje já não ficamos
mais tão ansiosos com estes planejamentos, pois já estamos mais experientes,
e mesmo porque a Internet está aí com todas suas ferramentas fantásticas
para facilitar o planejamento de uma viagem. Praticamente qualquer lugar do
mundo tem um site com informações turísticas. Hotéis tem páginas com fotos,
informações, preços e localização. Blogs e sites diversos dão depoimentos e
informações sinceras sobre qualquer lugar, inclusive com recomendações,
conselhos e dicas. Órgãos oficiais e informais de turismo permitem que se
colete informações online sobre praticamente qualquer lugar. Google Earth e
Google Maps fazem a gente visualizar todo um roteiro e mesmo cada rua de
cada cidade antes mesmo de chegar lá. E um fantástico aparelhinho chamado
GPS permite que se atravesse ruas, cidades e países inteiros com a segurança
de quem conhece aqueles lugares como a palma de sua própria mão.
Mesmo assim, com todo o
fascínio que uma viagem oferece e com tantas facilidades à disposição de
todos, ainda ouvimos pessoas dizendo que viajar é uma bobagem, uma perda de
tempo e que não vale a pena. Com certeza quem fala ou pensa assim ainda não
teve a oportunidade de passar por esta experiência e fala do que não
conhece.
Junto com as lembranças
de nossas viagens sempre vieram muitas fotos, negativos, livretos, postais,
filmes, souvenires, livros, brochuras, mapas, e ainda xampus de hotéis,
chaveirinhos, imãs de geladeira, menus de restaurantes, passagens de trem,
entradas de museus e toda uma parafernália de acessórios arrebanhados ao
longo dos passeios, a pretexto de trazer lembranças. É como se tudo aquilo
servisse para trazer para casa, para bem junto da gente, um pouquinho de
cada local visitado. Juntando as peças deste quebra cabeças forma-se a
imagem de uma viagem, a história completa de um passeio, dia a dia, e é
fascinante relembrar e reviver aquilo tudo.
Mas de alguma forma, em
algum momento, começou a surgir a idéia de também registrar estas aventuras
de outra maneira, de um jeito mais amplo, e que pudesse ser mostrado não
somente para parentes e amigos, mas também para quem mais se interessasse
pelo assunto. Coincidentemente, mais ou menos na mesma época começava a
surgir a Internet...
A paixão pela
fotografia foi determinante para a coleta de tantos registros de viagens.
Foi minha avó Chiquita, também na pré-história de minha vida, quem me abriu
os olhos para os encantos desta arte. Num distante Natal ela me presenteou
com uma câmera Kodak Rio-400. Era uma maquininha pequena, simples, eu
geralmente usava um filme com doze poses – o filme era caríssimo - o que me
obrigava, antes de cada click, a decidir o que valia mesmo a pena ser
fotografado. Quando o filme terminava – o que às vezes demorava semanas –
eram mais três dias de espera para revelar e imprimir as fotos preto e
branco, tamanho 9 x 9. Mesmo assim eu ficava fascinado por aqueles
resultados e principalmente pela possibilidade de guardar imagens de lugares
bonitos e momentos agradáveis.
Muito mais tarde, a
popularização da informática trouxe também outra paixão. Agora eram os
computadores, placas, memórias, softwares, tratamento de imagens, edição de
vídeos, comunicação e transmissão instantânea de dados e acima de tudo a
possibilidade de acessar, do conforto de nosso quarto, qualquer lugar do
mundo. Ver lugares, se informar, falar com pessoas, ver o que elas tinham a
dizer e – porque não? - Também dizer alguma coisa para quem quisesse ouvir.
Que tal colocar alguma coisa – qualquer coisa – na Internet, só para ver
como é que fica? Mas o que colocar na Internet? Sobre o que escrever?
A receita sobre o que
colocar na Internet surgiu de forma natural. Simplesmente juntar as três
coisas que tanto gostávamos: Viagens, fotografia e informática, unidas por
uma pitada de textos. O conteúdo daquele embrião de site, que tinha imagens
de qualidade duvidosa distribuídas em poucas páginas, era bem modesto, para
dizer o mínimo. Ao lado de cada imagem, um texto limitava-se a dizer algo
como: “Nós dois em frente ao Pão de Açúcar”, ou então “Passeando pela Cidade
Luz”. Mesmo assim, cerca de duzentas pessoas tiveram a coragem (ou azar) de
acessar o site “Reg & Doug” em seu primeiro mês de existência.
Com o tempo surgiu
outra idéia: Porque não ir mais fundo e criar um site não somente como um
registro banal de viagens, mas sim como alguma coisa mais completa? Porque
não soltar o verbo, dizer o que nós pensamos e sentimos em cada lugar,
colocar impressões pessoais, dicas turísticas, fazer na Internet o que a
gente faz quando conta para os amigos como são nossas viagens? Falar de uma
forma simples e objetiva. Escolher as imagens mais representativas que
fizemos em cada local e colocá-las numa página. Juntar estas imagens a
textos enxutos e informativos, de forma que não somente nossos passeios
ficassem registrados, mas que estas informações também fossem úteis a outros
viajantes, fossem eles reais ou virtuais, ou a quem desejasse fazer somente
fazer pesquisas? Surgia então a idéia do Viagens & Imagens.
A esta altura, já com a
ajuda de uma Nikon e com conhecimento mais aprofundado em informática, a
coisa começou a tomar forma. Saímos do provedor gratuito que enchia as
páginas do site com irritantes propagandas e pop ups e registramos o
domínio. O desafio era grande, o tempo disponível era pouco, mas a
empolgação era imensa e a idéia começou a se concretizar. Juntamos à receita
original - Viagens, fotografia e informática - uma boa dose de dedicação e
pesquisa, e em 1999 lançamos o Viagens & Imagens.
O interessante neste
tipo de atividade é que ela não termina nunca. Você melhora algo, ajusta uma
página, acrescenta um texto aqui e logo aquela outra página fica destoando
das outras, fica ruim, e precisa também de um upgrade. É necessário
reescrever, mudar imagens, atualizar dados. E também não esquecer de
acrescentar as últimas informações, incluir recursos, modificar links,
atualizar scripts... Frequentemente entro madrugada adentro fazendo isto,
sem fome nem cansaço, e somente quando paro percebo o corpo reclamando.
Ao mesmo tempo algo
curioso acontece no processo de criação do Viagens & Imagens: Montamos cada
página somente depois de já termos visitado um determinado local, já com as
fotos trazidas de viagem. Depois incluímos nossas impressões e dicas
resultantes desta visita, procurando criar um texto coerente, com início,
meio e fim. Neste processo incluímos também o resultado de pesquisas
complementares que fazemos após voltar para casa, em livros e publicações
diversas, de forma a tornar a página o mais informativa possível. O
resultado é que freqüentemente, ao estar finalizada a página sobre uma
localidade, terminamos sabendo mais sobre este lugar do que sabíamos ao sair
de lá. É uma sensação gratificante do ponto de vista criativo, mas também
frustrante do ponto de vista pessoal, pois acabamos com a sensação que -
agora que já sabemos tantas outras coisas a mais – temos que voltar lá para
poder aproveitar melhor o que vimos na primeira visita...
Reconhecemos também que
não há uma uniformidade de conteúdo entre as páginas. Algumas são bem mais
informativas e completas que outras, o que é decorrência de já termos
visitado alguns lugares diversas vezes, enquanto outros foram visitados
somente uma ocasião. Outro motivo é que as paginas de menor conteúdo
geralmente são mais antigas e ainda não sofreram o upgrade que desejamos
estender a todo o site. Com o tempo, porém, pretendemos melhorar e
aprofundar o conteúdo de todas as páginas.
Outra dúvida que
tivemos ao criar o site foi sobre qual seria a forma ideal de apresentar
este material. Criar páginas de jornadas completas, do primeiro ao último
dia de viagem, com as impressões pessoais sobre cada local visitado, como se
fosse um diário de viagem? Ou criar páginas independentes para cada lugar,
sem se preocupar em seguir um roteiro? Decidimos pela segunda opção, pois
nos pareceu que assim cada cidade ou local poderia ser consultado de forma
direta e independente, enquanto diários de viagem podem se tornar uma
leitura um pouco cansativa. Além do mais desta forma quem estiver
interessado em montar um roteiro poderá ler somente as páginas que lhe
interessam, sobre os lugares que pretende visitar.
Alguns amigos sugerem
que sejam incluídos no site banners de propagandas e anúncios justificando
que com estes links comerciais poderíamos obter algum lucro financeiro.
Afinal de contas o Viagens & Imagens tem cerca de 23 mil exibições de página
por dia e isto tem algum potencial de lucro. A idéia sem dúvida é tentadora,
mas a verdade é que não queremos transformar o Viagens & Imagens num balcão
de negócios. Um dinheirinho extra certamente seria bem vindo, mas ainda
preferimos nos manter fiéis à idéia original, ou seja, simplesmente incluir
fotos, textos, escrever sobre o que gostamos ou não gostamos, recomendar
lugares, dar dicas e registrar nossas impressões sobre lugares onde já
estivemos, sem qualquer interesse ou compromisso comercial. Desejamos apenas
registrar aqueles momentos e ser uma fonte adicional de consulta e
informação para novos viajantes, seja eles reais ou virtuais. Romantismo
fora de época? Falta de visão comercial? Talvez. Mas nós somos mesmo
românticos e com certeza seríamos um desastre como comerciantes. Enquanto as
finanças permitirem, e as despesas com provedores estiverem dentro de
limites aceitáveis o Viagens & Imagens permanecerá totalmente livre de
pop-ups, banners comerciais e propagandas, além de smoke free,
ecologicamente correto etc etc.
Como agradecer todas as
mensagens de incentivo e de carinho que já recebemos? Como responder àqueles
que nos dizem que nós lhes proporcionamos bons momentos, revendo lugares já
visitados ou então que as informações do site foram essenciais para o
sucesso de um passeio ou uma lua de mel? Já recebemos também mensagens
dizendo que graças aos emails deixados no Guest Book boas amizades foram
feitas, pessoas passaram a se corresponder regularmente e até se visitaram
em outros países. Recebemos ainda mensagens de professores de pequenas
escolas, que utilizam as informações do site para mostrar aos seus alunos,
através da Internet, como são os outros lugares do mundo. Recebemos também
convites para visitar esta ou aquela cidade, alguns até mesmo oferecendo
acomodação quando chegássemos lá, como se fôssemos seus velhos conhecidos ou
grandes amigos.
E também tem o caso
daquele músico que se inspirou no texto que escrevemos sobre um castelo
medieval visitado na Inglaterra, compôs e gravou uma música e ainda mandou o
CD de presente para a gente. Pessoas de todos os lugares, que nos mandam
suas próprias fotos, textos, sugestões de roteiros, desenhos, pedem
opiniões, dão dicas, corrigem nossos enganos, atualizam informações e
contribuem de todas as formas.
E ainda a criança que
nos enviou um desenho de castelo, inspirada no que escrevemos, dizendo que
tinha sonhado com aquele lugar. Como reagir, agradecer ou retribuir a
isto? Nunca pensamos que um dia o Viagens & Imagens poderia ser útil desta
forma, e temos vontade de conhecer cada uma destas pessoas. Acreditem, suas
mensagens são a melhor recompensa que poderíamos receber pelo nosso trabalho
e lamentamos não poder retribuir como gostaríamos o carinho que temos por
todos, e falar da emoção que estas mensagens tem nos trazido.
Bem... também tem
aquelas pessoas que nos escrevem, não com críticas construtivas - sempre bem
vindas - mas para ofender gratuitamente, até mesmo com rancor. Fazer o que?
Apagamos estas mensagens e não pensamos mais no assunto, desejando que estas
pessoas também recebam carinho, pois devem estar precisando.
Relendo as paginas que
escrevemos, um aspecto nos chama a atenção e faz pensar. Por falarmos
somente sobre as coisas boas de cada lugar, muitas vezes receamos passar a
impressão que tratam-se de lugares paradisíacos, sem qualquer tipo de
problemas. E pensamos até que ponto não seria bom falar também das
inseguranças, mazelas sociais, da violência e dos riscos existentes em cada
local. Dizer por exemplo que escapamos por pouco de ser assaltados na linha
13 do metrô de Paris. Ou que fomos roubados por motoristas de táxi em Praga
e New York. Maltratados pela imigração em Lisboa. Quase agredidos por
motoqueiros em Phoenix e motoristas de Albuquerque.
Mas será mesmo preciso
rememorar coisas ruins? Será necessário dizer que qualquer lugar do mundo
tem sua face negativa? Será preciso lembrar que existem pessoas más ou
agressivas em qualquer lugar? Alguém ainda acredita que possa existir um só
lugar do mundo onde tudo e todos sejam perfeitos? Onde estejamos imunes a
qualquer tipo de riscos? Não, com certeza ninguém acredita mais nisso. Estes
problemas, estas notícias ruins estão todos os dias nos noticiários de
televisão, nas revistas e manchetes de jornais expostas em todas as bancas
de jornais e podem ser vistos e amplamente conhecidas por qualquer um, em
qualquer lugar.
Mas acreditamos que
notícias ruins não devem desestimular as pessoas a procurar conhecer lugares
bonitos. Acreditamos que, apesar de todas as inseguranças do dia a dia, não
devemos viver entrincheirados em casa, sem ir a lugar algum, abrindo mão de
tantas coisas boas que estão lá fora. Assim chegamos à conclusão que também
não há necessidade de escrever mais sobre as coisas ruins, pois elas já
estão aí à vontade, à disposição de quem quiser. Cuidados básicos,
discrição, prudência, evitar ostentações exageradas e bom senso são
recomendações óbvias para um passeio bem sucedido, não importa onde se
esteja, e todo mundo já sabe disso.
Decidimos portanto
manter a idéia de falar somente sobre as coisas boas de cada lugar onde já
estivemos. Não somos ingênuos nem cegos, nem um casal de alienados nem uma
dupla de Polyanas - a personagem do conto de Eleanor Porter que via o mundo
todo como um lugar cor de rosa - e muito menos pretendemos fantasiar sobre
nada, mas acreditamos que é preciso saber ver o mundo com bons olhos, se
pretendemos enxergar coisas bonitas.
Recebemos diversas
sugestões e idéias para introduzir melhorias no site, e algumas delas tem
sido muito úteis e até mesmo fundamentais. Agradecemos de coração àqueles
que tanto tem contribuído com a gente. Recebemos também cobranças por não
termos incluído páginas sobre esta ou aquela localidades. Mas, como já
dissemos na página “perguntas freqüentes”, só incluímos fotos de lugares que
já visitamos. Existem diversos outros lugares maravilhosos que gostaríamos
de já ter visitado, mas infelizmente é certo que nunca chegaremos a conhecer
todos os lugares belos que existem, porque o mundo é grande demais. O que
podemos prometer é que, se e quando tivermos chance de visitar novos
lugares, todos eles terão suas fotos incluídas no Viagens & Imagens.
Algumas destas
cobranças são bastante rigorosas, considerando um absurdo ou mesmo
inadmissível que esta ou aquela cidade ainda não tenha sido incluída no
Viagens & Imagens. Pessoal, lembre-se, por favor, que não somos nenhum
Lonely Planet ou National Geographic. Não temos uma empresa financiando
nossas viagens, as despesas saem de nossos próprios bolsos, trabalhamos
muito durante todo o ano e viajamos somente quando tiramos férias, portanto
gente, um pouquinho de paciência, ok?
Em nossas primeiras
viagens ainda não havia a idéia de coletar material adequado para um site,
não viajávamos com a intenção que agora temos, de também documentar o que
encontramos pelo caminho. Muitos roteiros não foram documentados como
gostaríamos, o que agora cria dificuldades para elaborarmos certas páginas.
Diversas localidades que já visitamos não foram incluídas no Viagens &
Imagens, pois precisamos antes resgatar aquele material, digitalizar imagens
e atualizar informações. Por outro lado lugares que visitamos recentemente,
bem documentados, aguardam na fila a oportunidade de serem incluídos.
Sentimos que o que já foi feito não chega nem perto do que ainda há por
fazer no Viagens & Imagens.
Ao mesmo tempo persiste
uma frustração quanto ao conteúdo do Viagens & Imagens, porque a verdade é
que tudo que escrevemos ainda é pouco e insuficiente. Por mais que a gente
se esforce é inviável relacionar tudo que vimos e sentimos nos lugares por
onde passamos. Uma página, tenha ela 12, 15 ou 20 fotos, vídeos, fotos em
alta resolução e um bom texto, sempre será, em qualquer circunstância,
apenas uma tosca imagem em preto e branco de todas as belezas
multicoloridas, texturas, perfumes, sensações, momentos, pessoas, ambientes,
e principalmente a plenitude de vida que qualquer lugar tem a oferecer.
Mas mesmo assim, ainda
que esta seja uma tarefa impossível, nós vamos continuar tentando, nem que
seja somente para fornecer uma pequena amostra ou idéia daqueles locais, ao
estilo daqueles restaurantes que oferecem uma prova num palitinho, para
tentar convencer as pessoas a entrar e conhecer tudo que lá existe.
Até onde vai o Viagens
& Imagens? Não sabemos. Nossas viagens começaram ha cerca de vinte anos e em
2009 o Viagens & Imagens completou dez anos. A cada dia ele nos toma mais
tempo e ao mesmo tempo dá mais prazer. Cada dia conhecemos mais gente,
recebemos mais mensagens de diferentes lugares, travamos novos contatos,
fazemos amizades e recebemos mensagens estimulantes e inspiradoras. Temos
muitos projetos, mas não sabemos quando e se algum dia eles poderão se
concretizar. O que sabemos é que estas viagens tem sido uma bênção divina em
nossas vidas, e enquanto Deus nos der saúde e disposição nós continuaremos
perseguindo os lugares bonitos que existem no mundo.
E se você nos permite
um último pensamento, o que dizemos é simplesmente
Viva o dia de hoje. Não invista tudo somente no amanhã. Sem dúvida
é importante planejar, poupar, projetar e construir o futuro. Mas não
permita que estes planos futuros impeçam você de viver o dia de hoje. A vida
está sempre passando na nossa frente, e muito rápido, portanto não fique
sentado olhando pela janela, vendo ela passar. O mundo é um lugar belo, com
muita coisa bonita para ser vista. Saia de casa, passeie, viaje, conheça
pessoas. Se você tem uma cara metade leve-a junto. Se não tem convide um
amigo, uma amiga, ou vá sozinho mesmo, se este é o seu estilo. Faça umas
economias, enfrente um crediário, mas não fique preso ao dia a dia. Não
espere mais. Deus criou um mundo muito bonito e você não precisa atravessar
o planeta para ver coisas belas. Aquela cidade que você sempre teve vontade
de conhecer não é assim tão longe. Aquele passeio que você sempre teve
vontade de fazer não é assim tão caro. Saia da rotina! Passeie! Viva!
Um grande abraço,
Douglas