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O solitário farol no litoral do estado tem um aspecto
romântico e parece convidar a gente a bater algumas fotos. Na verdade
existem muitos deles, espalhados por toda a costa. Mas o estado
de North Carolina é bem mais que simplesmente uma terra de faróis.
A meio caminho entre o norte e sul do país, a Carolina do
Norte aparenta ter um pouco de cada coisa. Seu lado sulista é sentido
com mais facilidade nas tradições, história e topografia, na maior
parte característica daquela região do país. Já seu lado nortista
pode ser constatado na sua diversidade econômica. O estado é responsável
por 40% da produção nacional de fumo.
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North Carolina tem ainda grandes lavouras de batatas,
milho, soja e amendoins e é líder na exportação de produtos têxteis. Ao
mesmo tempo tornou-se um importante centro na produção de artigos eletrônicos,
elétricos, computadores e químicos. Charlotte, sua maior cidade, é um
dos mais destacados centros financeiros do país. E o interior do dispõe
de extensas reservas minerais, que tornaram o estado líder na produção
nacional de feldspato e mica. Este conjunto de atributos faz com que possa
se considerar a Carolina do Norte com um lugar bem sucedido dentre
os 50 estados americanos.
Os primeiros registros de presença européia na costa de
North Carolina são de 1524, quando aportou no lugar o navegador genovês
Giovanni da Verrazano. Ele desembarcou na região entre Cape Fear e
Kitty Hawk. Começando na pequena cidade litorânea de Oak
Island, e seguindo sempre na direção norte, encontra-se um
cenário único, formado por uma sucessão de istmos, pequenas faixas de
terra, isoladas pelo mar e formando diversas lagunas. Parte delas é
absolutamente deserta, em outras estão pequenas localidades de pescadores,
antigos faróis, reservas naturais e até exclusivos condomínios de luxo. O
lugar parece permanentemente parado no tempo, longe de qualquer
civilização e é impossível não ser contagiado por uma sensação gostosa de
paz e tranqüilidade.
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Se nessa viagem encontramos uma cidade bonita seu
nome é Charlotte, conhecida como Queen City (a cidade
rainha). Ela recebeu esse nome para homenagear a rainha Charlotte,
mulher de George III, rei da Inglaterra. Da forma como vai, em breve
estará rivalizando com Atlanta pelo título de mais próspera cidade
do sul americano. A foto ao lado mostra alguns de seus modernos
arranha céus, mas o que lhe faz especial é o cuidado com que seus
projetistas construíram a cidade. Tryon Street, sua avenida
principal, corta o centro no sentido norte sul, é toda arborizada
e ornamentada com esculturas que dão um certo aspecto de museu às
ruas centrais. Vale a pena observar o cruzamento da Tryon
com Trade, onde em cada uma das quatro esquinas há uma
escultura gigante, representando os diferentes segmentos da sociedade
que contribuíram para o desenvolvimento desta região. Fora do centro
vale a pena visitar também a Queen's Road, onde estão suas
mansões históricas, e ainda visitar os belos bairros de Plaza
Hills, Elizabeth, Dilworth e Biddleville.
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No entanto essa sensação pode ser
um pouco enganosa, porque esse trecho do litoral é conhecido pelos pescadores
com Cemitério do Atlântico, devido ao grande número de embarcações
que já naufragaram na região, enganadas por estes belos mas traiçoeiros
istmos. Ao mesmo tempo, o vento forte, quando resolve soprar, também tem
fama de fazer muitos estragos, e conversando com pescadores ou moradores
da área, ouvimos frequentes relatos e histórias sobre tempestades ou furações
que trouxeram muitos danos ao litoral do estado.
Seja como for, tivemos a sorte de pegar tempo bom quando
passamos por aqui, e a lembrança que ficou foi de dias ventosos, um pouco
frio, mas de bom tempo. Toda essa região do litoral de North Carolina
é conhecida como Outer Banks e um de seus trechos mais bonitos,
e por isso mesmo transformados em reservas nacionais receberam os nomes
de Cape Lokout, com 80 km de extensão e Cape Hatteras, com
120 km (as duas fotos acima são de Cape Hatteras).
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Charlotte está muito bem servida de parques, a
começar pelo Martin Luther King Park, de onde se tem uma
bela vista do centro. Não muito distante ficam o Revolution Park
e o Freedom Park, muito freqüentados principalmente durante
os fins de semana. Quem gosta de shoppings também vai encontrar
ótimas opções, como o excelente Carolina Place Mall (na
junção da I-485 com estrada 51). Ali por perto estão também
todas as grandes lojas de departamento que fazem a alegria dos
turistas, como Target, Best Buy, Circuit City e JCPenney. |
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Os primeiros colonizadores europeus, ao chegarem
ao território das Carolinas (antigamente ela tinha esse nome, apenas
depois foi dividida em Carolina do Sul e do Norte) escolheram a
região de Cape Fear, no litoral, como primeiro endereço.
Atualmente, os 50 km de praias de Cape Fear tem diversas atrações,
e a região é uma das mais procuradas por veranistas. Desde praias
semi-desertas até movimentados bares a beira mar, assim como museus,
galerias de arte, festivais de música e campeonatos de surf.
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Foto batida em Raleigh, capital de North
Carolina. Nossa passagem por aqui foi num domingo, e pode-se dizer
que encontramos o que seria de se esperar numa capital estadual
de um estado do interior num domingo: Nada! Após rodar muito com
o carro pelas ruas quase desertas vimos um carro da polícia municipal
(carros de policia parecem estar em todo lugar nos Estados Unidos,
sempre fazendo rondas, olhando em todas direções, como numa cena
de cinema) e pedimos ajuda para localizar o Tourist Information
Center da cidade. O policial foi de uma atenção total. Pediu
para estacionarmos no local apropriado, estacionou sua viatura ao
nosso lado (não havia trânsito algum na cidade, mesmo assim seria
inimaginável para ele pararmos fora de uma vaga demarcada), e depois
nos explicou detalhadamente como chegar lá. Raleigh não tem muitas
atrações, mesmo assim, vale a pena visitar o Museum of Natural Sciences, e o North Carolina Museum of History,
onde se pode conhecer em detalhes a história do estado de North
Carolina.
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Se você perguntar a algum americano quem foi Santos
Dumont, provavelmente ele dirá: Quem? Nunca ouvi falar! Por
mais que isso desagrade aos Brasileiros e retrate uma das maiores
injustiças dos últimos cem anos, a verdade é que o homem que pela
primeira vez conseguiu fazer um engenho elevar-se do chão e voar
com a força de seus próprios motores, percorrer um trajeto pré-estabelecido
(rodear a Torre Eiffel) e, ainda por cima ter como testemunha milhares
de Parisienses, é solenemente ignorado nos Estados Unidos.
Para eles, os pais da aviação são os irmão Wilbur e Orville
Wright. E isto é lembrado até na placa dos automóveis de
North Carolina.
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O monumento acima foi erguido
próximo à cidade de Kitty Hawk, local onde foi feito o vôo
pioneiro daqueles que, segundo os americanos, são os Pais da
Aviação. Esta alegação é baseada no fato que o vôo dos irmão Wright
ocorreu em 1903, portanto seria anterior ao vôo de Santos Dumont, que
aconteceu em 1906. No entanto, e isto faz toda a diferença do mundo, o
avião dos irmão Wright precisou de uma catapulta para ser jogado ao ar,
pois seus motores não conseguiam tirá-lo do chão. Ou seja, ele foi Jogado
no ar, percorrendo a seguir uma determinada distância. O evento foi
testemunhado por um pequeno grupo de pessoas.
Positivamente, o que aconteceu
naquele dia de 1903 em Kitty Hawk, North Carolina, não
pode ser definido como Voar.
O
14-Bis de Santos Dumont decolou três anos depois, em 1906. No entanto,
decolou com a força de seus próprios motores, manobrou com perfeição e aterrissou graciosamente, na frente de uma multidão de
maravilhados Parisienses, dando ao seu seu construtor o reconhecimento da
Europa; ao mundo a prova
definitiva que o mais-pesado-que-o-ar podia voar e à humanidade um invento que iria revolucionar o
planeta.
Isto sim, foi Voar!
Como disse uma amiga americana, e com razão, falando
sobre o assunto: Não esperem que os Americanos reconheçam espontaneamente
que Santos Dumont é o verdadeiro Pai da Aviação. Cabe, isto sim, aos Brasileiros
lutar para que ele tenha o merecido reconhecimento de todo o mundo, inclusive
dos americanos.
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Percorrendo as estradas do sul americano,
principalmente as secundárias, é possível ver esta cena com
bastante freqüência: A bandeira dos Estados Confederados
hasteada na fachada de alguma casa. O estado de North Carolina foi o
primeiro a declarar sua independência do resto do país, em 20 de
dezembro de 1860. O motivo da ousada decisão foi a abolição da
escravatura, decretada pelo presidente Lincoln, e com a qual o
estado não concordava. |
Em pouco tempo outros estados do sul seguiam o
gesto desafiador da Carolina do Norte e logo estava deflagrada a guerra
civil, que durou de 1861 a 1865, e terminou com a derrota do sul (Estados
Confederados, como eram conhecidos). A bandeira vermelha com a cruz azul
no meio e 13 estrelas representava esses mesmo Estados Confederados, e sua
presença tão constante, mesmo que seja ao lado da bandeira americana,
nos deixou uma certa dúvida: Seria sinal de
algum ressentimento contra o norte, apenas nostalgia romântica, ou
estaria representando idéias que ainda
permanecem sob as cinzas?
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Esta foto foi batida em Reed Gold Mine,
como o nome diz, uma antiga mina de ouro, agora transformada em
atração turística. Até 1848, quando começou a corrida de ouro
na California, o estado de North Carolina era o líder nacional na
extração de ouro, e a mina Reed era uma das mais produtivas. A
mineração empregava milhares de pessoas na região, e apenas
perdia em número de trabalhadores para a pecuária. O nome vem de
seu proprietário, um inglês chamado John Reed, que lutou pela
Inglaterra durante os combates da independência americana, mas que
quando encontrou ouro nesse terreno, resolveu deixar a Inglaterra
para lá e se radicar nos Estados Unidos para ficar rico. No lugar
podem ser visitados os antigos túneis da mina, e apreciados
artefatos usados pelos mineiros de 1800. |
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Outra foto batida em Charlotte, desta vez em frente
ao Discovery Place, a principal atração da cidade. Trata-se
de um museu interativo de ciências, onde se pode fazer experimentos
de ótica, luz, som e compreender com facilidade muitas daquelas
coisas estranhas da física que lemos nos livros mas não conseguimos
entender bem como funcionam. Também há exposições nas áreas de biologia,
astrologia, tecnologia e muitas outras gias. Interessante
para adultos e fascinante para crianças. |
Outras atrações de Charlotte incluem
o Museum of the New South, onde exposições interativas nos
mostram aspectos da vida no sul dos Estados Unidos no período posterior
a guerra civil; o Paramount's Carowinds, maior parque temático
da região e o Charlotte Museum of History, museu sobre a
história da cidade.
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Para terminar uma visita a North Carolina, não
há nada melhor que visitar Chimney Rock Park. Situado na
região montanhosa do estado, este parque tem um dos mais fantásticos
conjuntos de matas, rios e montanhas do sul do país. Para chegar
lá tome como ponto de partida a cidade de Asheville, e siga
por cerca de 40 km na direção sul. Seu ponto mais famoso, e que
dá nome ao parque, é esta rocha, conhecida como Chimney Rock
(Rocha da chaminé), um mirante que se eleva a centenas de metros
acima do parque, e de onde se pode apreciar um bom pedaço de North
Carolina, até onde a sua vista alcança. |
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Vai alugar um carro e pegar a estrada nos Estados
Unidos? Veja também a página Dicas
USA
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Carolina! Carolina! Heaven's blessings attend her!
While we live we will cherish, protect and defend her;
Tho' the scorner may sneer at and witlings defame her,
Still our hearts swell with gladness whenever we name her.
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